O resultado que eu mais esperava na Copa do Mundo infelizmente não se concretizou. Uma aparição alienígena no meio do jogo Brasil x Escócia, conforme prometido por uma vidente.
Lamento não porque eu tenha apostado algum dinheiro nisso (não tenho grana sobrando nem fé na ideia de enriquecimento rápido e sem esforço), mas porque torço profundamente para que o contato com uma outra forma de vida inteligente nos salve da nossa burrice; ou, ao menos, nos ajude a sair do nosso umbiguismo cósmico.
Também porque, desde que chegamos na fase “humanidade versus robôs”, o plot não avança mais. Tá dando uma preguiça esse papo de I.A. Os aliens seriam um chacoalhão muito bem-vindo a esta altura.
O mais provável, no entanto, é que nada mudasse. Beleza, os aliens apareceram, tentaram contato, não entendemos o que diabos quiseram dizer, fizemos alguns memes sobre isso; em semanas, estaríamos mais entretidos com outro assunto, algum escândalo envolvendo influencers, um novo labubu no mercado, outro extremista chegando ao poder.
É bom os alienígenas chegarem com uma boa estratégia de marketing, porque reter a atenção do público no século 21 não é moleza. Eles já ouviram falar no algoritmo?
Sei que é uma perda de tempo olhar para cima esperando alguma chegada apoteótica. Não estamos num filme do Spielberg. Mas talvez eles não precisem atravessar o cosmos para transmitir uma mensagem. Talvez eles já estejam nos observando. Talvez eles já estejam entre nós.
No episódio de hoje de Bobagens Imperdíveis, conversei com o fantástico , autor do livro “A espinha dorsal da memória”, que lemos no nosso Clube de Leitura Bobagens Imperdíveis em junho.
Fiquei encantada com a forma que ele mistura ficção científica com uma linguagem poética, em histórias que dão vontade de ler em voz alta (tanto que o pessoal do Clube recebeu alguns áudios meus lendo trechos do livro, veja que perigo).
Já admirava a escrita dele pelo seu blog, Mundo Fantasmo, que ele mantém na ativa desde 2003. É uma consistência de se tirar o chapéu. Para muito além do blog, a escrita de Braulio é multidimensional: ele é escritor, pesquisador, tradutor, poeta, cordelista, já escreveu para teatro, é músico e compositor. Compôs para artistas como Lenine, Elba Ramalho e Chico César.
Nessa conversa, ele me contou vários causos, falamos de sua jornada na literatura, de poesia, de ficção científica, de construção de mundos imaginários, dos seus segredos na escrita e até sobre taoísmo e vida em outros planetas.
Vem ouvir, o papo foi divertidíssimo:
Dê o play onde preferir
Links para as referências citadas no episódio:
Livro “O que é a ficção científica?”, de Braulio Tavares
Livro “A Máquina Voadora”, de Braulio Tavares
Livro “O Mundo Fantasmo”, de Braulio Tavares
“The Swords of Lankhmar”, de Fritz Leiber
Álbum “Voz, violão e verso”, de Braulio Tavares
“O dia em que faremos contato”, música de Lenine com Braulio Tavares:
Livro “Kalpa Imperial”, da argentina Angélica Gorodischer
Livro “O Livro do Juizo Final”, de Connie Willis
Livro “O clube de leitura de Jane Austen”, de Karen Joy Fowler
Livro “Fanfic”, de Braulio Tavares
Livro “Solaris”, de Stanislaw Lem
Livro “O informe de Brodie”, de Jorge Luiz Borges
Livro “O livro de areia”, de Jorge Luiz Borges
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Nós do Insólito
Ainda na editoria literatura fantástica, aproveito para contar que vou participar de um evento organizado pela UERJ, o I Colóquio Internacional do Grupo de Pesquisa Nós do Insólito.
Estarei em uma mesa debatendo narrativas não-humanas na ficção científica com Daniel Galera e mediação do Bruno Anselmi Matangrano, no dia 4 de agosto, terça-feira, às 17h20 (horário do Brasil). Imperdível!!
O evento é online e gratuito. Para participar, inscreva-se aqui.
A programação completa, cheia de gente bacana e temas fortíssimos, você vê aqui.
Um apelo à imprensa
(sei que muitos jornalistas leem minha newsletter, então lanço essa garrafa ao mar, vai que)
Em casos de avistamentos de ovnis, abduções ou de supostas aparições alienígenas, experimentem chamar autores de ficção científica para falar do assunto. Podemos não ser tão ricos quanto uma Yasmin Brunet, mas garanto que temos teorias tão ou mais doidas quanto as dela.
Ouça também
No episódio “Raul Fantástico”, analiso as letras de Raulzito sob as lentes da literatura fantástica para tentar descobrir: quem é o tal moço do disco voador?
“Não se pode pedir a uma minhoca que entenda um himalaia.”
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Espero que goste de ouvir o episódio! Me conta o que você achou?
Bobagens Imperdíveis e esta newsletter são produções que insistem e persistem graças ao apoio dos leitores. Com frequência me vejo desanimada a continuar nadando contra as correntezas algorítmicas, numa internet onde já existem mais robôs do que gente, mas lembro que existem pessoas reais apostando nas minhas palavras, então engulo o choro e volto ao trabalho.
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Um beijo e até a próxima,

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