Os sinais estão por todos os lados.
São luzes misteriosas no céu, meteoro caindo enquanto vulcão entra em erupção, é papa escrevendo encíclica papal contra o avanço da inteligência artificial.
É uma nave brilhante como discoteca sendo avistada numa fazenda pelo agora folclórico “gay do ovni de Curitiba”.
São os alertas dos cientistas de que vem aí um El Niño com força total, é gente casando dinheiro no mercado de apostas de que esse ano o tão esperado meteoro vem.
“Vai se criando um clima terrível” — um comentário que tanto pode ser dito em situação de apocalipse quanto de Copa do Mundo. O que, daqui de 2026, dá na mesma. Enquanto a bola rola, o país anfitrião do evento bombardeia dois países e ameaça invadir outros dois (ou três? Já não consigo acompanhar). Tudo absolutamente normal e dentro do tom nos Estados Nazistas da América.
Enquanto você lia esse parágrafo a fortuna de Elon Musk acabou de aumentar em 1 milhão de dólares! Parabéns, todo mundo acabou de ficar mais pobre. Eu só tenho uma dúvida: do que adianta acumular um trilhão de dólares imaginários se você continua a ser um completo miserável?
Vivermos em um mundo de absolutistas digitais e ainda não termos chegado na parte da guilhotina só se explica pelo fato de estarmos muito sem tempo. Todo mundo na correria, sabe como é. Muitas séries na fila para maratonar, muita coisa pra fazer, mal conseguimos falar com os amigos porque, afinal, precisamos continuar rolando a timeline para enriquecer o Zuckeberg.
A falta de paciência, a pressa, a incapacidade de se concentrar em qualquer coisa que dure mais de 30 segundos. Estamos virando o Sonic, criaturas feitas para acelerar, mais e mais, porque aceleracionismo é a religião do momento (sorry, Papa, você perdeu).
Se não se pode impedir o colapso, por que não acelerar em direção a ele? Sim, as pessoas mais poderosas do mundo realmente acreditam que a melhor forma de dirigir quando se perde o controle do automóvel é acelerar e espatifar o carro contra uma árvore.
Quando o filme começa a ficar mais acelerado, é uma pista narrativa de que ele está chegando ao fim.
Aceleração: é sobre isso que vamos discutir no novo episódio do podcast.
Será que Mary Shelley, autora de Frankenstein, previu o futuro?
Como o romance apocalíptico que Mary Shelley escreveu no século 19, sobre uma pandemia mortal que dizima a humanidade, se entrelaça com o fim do mundo que vivemos 200 anos depois?
Conversei com , escritora, editora e tradutora, sobre ter traduzido “O último homem“, de Mary Shelley durante a pandemia de COVID-19. Como os traumas e catástrofes influenciam a escrita?
O episódio é um mergulho na escrita de Mary Shelley, nas tragédias pessoais que a moldaram, no mundo sinistro que ela viveu e o que o monstro de Frankenstein tem a ver com tudo isso. Não dava para fazer uma temporada sobre futuro e ficção científica e não falar de Mary Shelley!!
Dá o play:
Escute na plataforma de sua preferência:
Durante o mês de junho estamos lendo o livro de contos “A espinha dorsal da memória“, do , no nosso Clube de Leitura Bobagens Imperdíveis. A discussão no grupo tá bem animada e já estão rolando mil teorias para tentar decifrar o conto “História de Maldun, o Mensageiro”.
Vem que dá tempo de acompanhar a leitura, participar da conversa e a narrativa de Bráulio é uma delícia. O grupo é gratuito e todos são bem-vindos:
“It’s the end of the world as we know it
And I feel fine”
— R.E.M.
Qual sua aposta para o fim apoteótico do mundo que conhecemos? Invasão alien, catástrofe climática, burrice humana ou tudo junto?
Beijos apocalípticos,

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