RSS Amplifier

Alex Bretas – Aprendendo em Voz Alta · Apr 15, 2026

Não é seita

0
Sign in to vote or save

This page did not load. You can still read it on the original site — the toolbar below keeps your place in the directory.

Um relato honesto da primeira imersão do Nibs

Sonhos que você só descobre que tem quando são realizados. Alguém já inventou um nome pra isso? Algumas tentativas: sonho-surpresa. Sonho latente. Sonho insuspeito.

Foi o que me aconteceu na imersão do Nibs, que terminou – terminou? – no último domingo.

Já estive nesse círculo mágico várias vezes. O Mol ainda reverbera, sobretudo as memórias das 4 imersões que fizemos, todas no mesmo formato que vivemos agora.

Não foi por falta de já ter habitado esse espaço que não o sonhei com antecedência. Eu sabia da magnitude do rolê. Mas o medo de não dar certo embargou minha capacidade de sonhá-lo, por algumas razões.

A primeira é a transição de Mol para Nibs.

Me perguntaram se eu ficaria bravo com a pessoa que errasse o nome e falasse “Mol” na imersão. Achei engraçado, pois ao meu ver isso não seria um erro. O Mol segue vivo enquanto for lembrado. Evocar o Mol é reverenciar o que nos trouxe até aqui.

Mas é claro que só consegui elaborar isso depois de levar meus medos para passear. “Nibs, que diabo é isso, rapaz?”, “endoidou de vez agora, foi?”, “você nunca sustenta nada por muito tempo, né, Alex?” Eu tinha receio das pessoas não abraçarem a nova identidade exótica que criei “duneida” – mas a imersão me provou o contrário.

A segunda razão tem a ver com a minha típica impulsividade. Planejei essa imersão no pior momento possível. Eu sabia que estaria trabalhando loucamente para desovar a primeira turma do Nibs. Mas algo silenciosamente me dizia que esses 4 dias de glória presencial também precisavam ser desovados.

Foi por conta dessas coisas que me proibi de ter expectativas. Só comemoraria diante da certeza do sucesso. Até lá a gente segue fazendo o que tem que fazer sem pensar muito.

Estava sendo guiado pelo meu coração – e confesso que ele estava me deixando exausto, porque genteeee do céu, fazer uma imersão sem perspectiva de lucro no meio do caos e ainda com nome novo que ninguém conhece?

Sou eu todinho.

Mas sim, a imersão aconteceu. Com um grupo de mais de 30 pessoas. E agora eu finalmente entendi o que acontece naquele lugar.

Não foi só eu quem tropeçou num sonho que nem sabia que tinha. Outras pessoas também foram atingidas por essas fotos oníricas que só se revelam na hora. Outras pessoas também sentiram a força desse coletivo, a despeito do nome, do invólucro, da moldura. Outras pessoas também se jogaram nessa rede.

Um meme recorrente ao longo da imersão foi: “isso aqui é seita, hein!” E todos ríamos muito quando alguém falava. É claro que não é. O que não significa que não tenhamos tocado o divino ali.

A gente perdeu tanto contato com a ritualística e com o sagrado da vida que o único espaço além das religiões onde enxergamos isso acontecendo é numa seita.

O que acontece na imersão é difícil de explicar, mas penso que seja algo sobre a qualidade das relações. É coletivo, é comunitário, é “tamo junto”, mas também é livre, autodirigido, e assim o Eu pode se libertar para, além de estar junto, estar como quiser. Essa junção é intencionalmente cultivada por nós – mas é extremamente escassa no mundo lá fora.

Meu amigo-irmão Luis Sérgio é prova viva isso. Ele não tem muito problema em se expressar e falar em público (quem conhece sabe). Mas um campo que ele ainda está tateando é a arte. No sarau, o Luis tocou escaleta e declamou poesia. Rimou até sem querer. E arrancou aplausos com sua vulnerabilidade. Seu voo se deu a partir dessa junção entre coletivo e autodirigido.

Na imersão também realizamos o sonho – esse eu sabia que tinha! – de lançar o livro Mil Flores ao Afora, do meu amigo querido Tarik Fraig. Ele fez a mesma loucura que eu quando lancei o livro do doutorado informal: deu uma cópia gratuita pra todo mundo. Nessa obra-prima, o Tarik evoca a educação como expansão ontológica do ser-em-comum. Seu livro, fruto de sua ousadia, não poderia ter encontrado lugar melhor para pousar.

Nesse espaço bonito que costuramos, histórias como a do Luis e do Tarik não são exceção, mas a regra. As pessoas sentem a hospitalidade da rede e se jogam na ousadia de ser. A coragem comunitária aparece justamente ao não se cobrar coragem de ninguém.

Talvez eu não tenha sonhado a imersão antes não por conta dos meus medos, mas por ainda não ter sido capaz de alcançar o que ela representa. É como se o sonho estivesse logo ali, dobrando a esquina, mas sem fazer a curva eu não o vi.

É daí que brota o melhor nome para esse fenômeno curioso de reconhecer o sonho no instante em que ele se realiza: sonhos à espreita.

Que os sonhos
à espreita
te despertem.

Nos encontramos na próxima? 🤩


Nibs 0→1 tá chegando!

A imersão do Nibs acabou, mas em breve temos mais um encontro. Desta vez, online e gratuito.

O Nibs 0→1 segue com inscrições abertas e eu estou muito animado pra compartilhar o Metaprompt com você.


Nibs 0→1: inscreva-se aqui


E uma atualização importante: precisei alterar a data!

22 a 29 de abril é a data atualizada.

(Antes era de 15 a 22 – e sim, o adiamento tem a ver com a minha loucura)

Nos vemos em breve!

Read on alexbretas11.substack.com

Comments

Nothing yet. Say the first thing.

    Sign in to join the conversation.