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Alê Flávio · Jun 18, 2026

O que a gente faz quando não quer fazer?

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Alê Flávio · Alê Flávio

Albert Camus em Paris, França (1944) - Foto: Henri Cartier-Bresson/Fondation Henri Cartier-Bresson
Albert Camus em Paris, França (1944) - Foto: Henri Cartier-Bresson/Fondation Henri Cartier-Bresson

Oi pra você que, por uma razão ou outra, ainda passa por aqui pra ver se eu escrevi alguma coisa.

Oi pra você que chegou aqui organicamente.

Oi pra você que, como eu, está num dia em que a melhor opção seria ter ficado embaixo das cobertas.

Não, não acho que aconteceu nada específico (tirando o fato de eu ter perdido completamente a hora e me atrasado, atrasado minha filha pra escola etc etc). Mas, sei lá, é um daqueles dias em que, quando minha cabeça não está concentrada em alguma coisa, facilmente vou pro lugar de “qual o sentido de tudo isso”?

E, honestamente, não tou procurando uma resposta pra isso hoje não, mas esse questionamento sempre me coloca num lugar de inércia e “bode” que é complicado. É como se minha mente e meu corpo automaticamente escolhessem largar tudo - porque, no fundo, nada importa.

Clinicamente falando, como me comentou minha primeira terapeuta, esses podem ser sintomas padrão (ou comuns) de distimia, um tipo de depressão. Como toda doença mental existem graus e nuances, mas, é por aí. Filosoficamente falando, certamente é mais um daqueles momentos camusianos em que eu tou aqui encarando o Absurdo e decidindo (ou não decidindo) o que fazer com ele.

Há 30 e tantos anos (dos meus quase 41) eu sinto isso com uma frequência maior do que eu gostaria: de não entender qual o meu papel aqui (no mundo, na existência, no universo - você escolhe), de achar que as coisas não fazem sentido e que tudo é uma grande perda de tempo e de, paradoxalmente, que eu poderia ser muito mais do que eu sou. E o que eu faço com tudo isso? Hoje tou aqui escrevendo um texto meio sem pé nem cabeça que meia dúzia de pessoas vão ler, mas, geralmente, nada.

E espero passar.

Talvez esse seja o problema: embora eu tenha uma capacidade invejável de racionalizar o que está acontecendo, partir para a ação é algo que foge à minha compreensão em portanto, eu só espero.

Até que aconteça de novo.

Até a próxima.

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Read the original on aleflavio.substack.com

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