Oi, Evelin, editora da Lupa, aqui. Na Lente de hoje, a repórter Gabriela Soares mergulha em um golpe que tem feito vítimas em todo o país: o do falso advogado. Com mensagens convincentes, detalhes reais de processos e até vídeos manipulados, criminosos conseguem enganar clientes que acreditam estar falando com seus próprios advogados. A Gabi conta como esse esquema funciona e por que ele tem se tornado cada vez mais difícil de identificar. Aproveite a leitura e, se puder, baixe a cartilha e compartilhe as orientações com amigos e familiares. Informação também é uma forma de proteção. Boa leitura!
Imagine que você tem um processo em tramitação na Justiça. Depois de meses — ou até anos — de espera, finalmente chega uma mensagem com boas notícias: “Ganhamos a causa”. O remetente? Seu advogado, conforme você reconhece a foto e o nome do perfil.
Foi o que aconteceu com Ana Maria (nome fictício), de 60 anos, moradora de São José do Rio Preto (SP). Pelo WhatsApp, um golpista fingiu ser seu advogado e informou que uma ação movida por ela contra uma companhia aérea havia sido vencida, dando a ela o direito de receber R$ 60 mil. Era uma armadilha, como ela descobriu pouco tempo depois.
Táticas sofisticadas de engenharia social foram usadas para enganá-la:
Dados reais: o golpista citava detalhes precisos do processo.
Autoridade: mesmo utilizando um número de telefone diferente do habitual, o perfil exibia a foto do advogado e utilizava uma linguagem técnica — o “juridiquês” — para ter credibilidade.
Manipulação: o “advogado” a convenceu a conversar com um assistente por vídeo. Na chamada, ele a orientou sobre o que seria necessário para liberar o pagamento.
Resultado: Ana Maria transferiu R$ 50 mil para os criminosos.
“Depois que tudo passa, você entende que havia sinais de que era golpe. Mas naquele momento eu simplesmente fui seguindo as orientações, como se fosse um robozinho”, relatou a vítima ao meu colega, João Paulo Capobianco, em reportagem publicada na Lupa em agosto de 2025.
Ela não foi a única. O golpe do falso advogado tem causado dor de cabeça a profissionais e clientes em todo o país. O nível de sofisticação dificulta a percepção do golpe, mesmo por parte de pessoas mais atentas a esse tipo de crime.
Dados da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) ajudam a compreender o tamanho real do problema. Criada em maio de 2025 pela organização para validar a identidade de advogados em tempo real, a plataforma ConfirmADV não validou 7,6 mil nomes de 27 mil verificações solicitadas. O dado sinaliza potenciais golpistas que foram identificados antes do prejuízo financeiro.
Enquanto clientes podem sofrer prejuízo, advogados enfrentam o uso indevido de suas imagens e o possível risco à reputação. Para além de explorar dados reais dos processos, os criminosos utilizam também inteligência artificial para simular vozes e vídeos, o que torna o golpe ainda mais convincente.
Para enfrentar o crime, a Lupa lançou na quarta-feira (11) uma cartilha de combate a esse tipo de golpe. Produzido em parceria com as OABs de São Paulo, Espírito Santo, Goiás, Pernambuco e Paraná, e com o apoio do Jusbrasil, o material oferece orientações rápidas e didáticas para identificar e escapar dessas ciladas.
O guia também orienta o que fazer caso o golpe tenha sido concluído. O material destaca a importância da vítima agir rapidamente: quanto antes a fraude for denunciada, maiores são as chances de recuperar o dinheiro e identificar os responsáveis. Para isso, há um passo a passo com quatro etapas que ajudam a vítima a reagir de forma imediata.
O objetivo é fornecer um mecanismo de rápido compartilhamento e compreensão para que advogados e clientes criem uma rede de proteção mútua. Afinal, diante de criminosos que refinam as táticas diariamente, a informação é a única barreira eficiente.
E sabe a reportagem do João, citada no início desta edição? Pois bem, após o lançamento da cartilha, ele retornou o contato com um dos advogados ouvidos à época. O profissional agradeceu pelo material, mas desabafou sobre a insistência dos golpistas: “Não está fácil… Comigo já foram 15 vezes!”.
Moral da história: o golpe não é um evento isolado, mas uma indústria em constante atualização. A cartilha funciona como uma espécie de vacina. Ela não interrompe a ameaça, mas prepara o cidadão para identificá-la a tempo e, quem sabe, o impede de cair na armadilha dos criminosos.
Este conteúdo foi produzido pela Lupa, com o apoio do Jusbrasil, plataforma de dados e inteligência jurídica, com o objetivo de ampliar a conscientização e educação da população sobre golpes online.
A Lupa lançou esta semana o curso “Investigação Digital | Iniciante”. O material é o primeiro da plataforma educativa da Academia Lupa, dedicada à formação em temas ligados ao combate à desinformação, investigação digital e educação midiática. Desenvolvido com recursos de IA e mais de 12 horas de aulas, o curso é composto de 6 módulos digitais, que exploram técnicas, ferramentas e estratégias de OSINT (Inteligência de Fontes Abertas), utilizadas pela Lupa para checar conteúdos e combater redes de atuação criminosa online. O curso oferece exercícios práticos, aulas premium e certificados, e pode ser adquirido em módulos avulsos ou em pacote completo. [Victor Terra, editor da Academia Lupa]
O WhatsApp apresentou novo recurso para que pais e responsáveis possam supervisionar contas de menores de 13 anos, às vésperas da entrada em vigor do Estatuto Digital da Criança e do Adolescente, o ECA Digital (Lei nº 15.211/2026), em 17 de março. A norma determina que plataformas online adotem níveis elevados de proteção para crianças e adolescentes. As contas gerenciadas são opcionais e devem ser disponibilizadas globalmente nos próximos meses em todo o mundo, segundo a Meta. Em paralelo, a Indonésia anunciou que proibirá menores de 16 anos nas redes sociais, citando riscos como pornografia, cyberbullying, fraudes e dependência digital, seguindo movimento semelhante ao da Austrália, que em dezembro de 2025 aprovou a primeira lei mundial que restringe o acesso às plataformas para crianças e adolescentes. [Carol Macário, repórter]
A guerra no Oriente Médio inaugurou um novo alvo em conflitos: os datacenters, responsáveis por armazenar e processar informações digitais. O jornal britânico The Guardian informou no dia 7 que o Irã bombardeou as estruturas de empresas americanas, como a Amazon Web Services, instaladas nos países árabes que têm laços com os Estados Unidos. De acordo com a reportagem, não há precedentes de ataques deliberados contra datacenters em guerras. Com uma demanda crescente por inteligência artificial e armazenamento em nuvem, a ofensiva levanta questões sobre novas fronteiras de guerra. [Luiz Henrique Gomes, editor-assistente]
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