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Ada News · May 1, 2026

#5 A Reese Witherspoon você sabe quem é, mas e o Alex Karp?

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Tem dias que me acho muito ingênua. Tem dias que acredito que as redes sociais estão aqui para nos distrair do que realmente importa.

Quem é você na fila do pão? Fã ou hater da Reese?

Tem dias que me acho muito ingênua. Tem dias que acredito que as redes sociais estão aqui para nos distrair do que realmente importa. E tem dias que eu me pergunto porque é tão fácil criticar outras mulheres na internet ao invés de apoiá-las.

Quando a Reese Witherspoon divulgou, em suas redes sociais, um vídeo falando da importância das mulheres aprenderem IA eu vibrei e compartilhei. Acho importante que mais mulheres em posição de poder falem sobre isso. Mas, em seguida, veio o backlash das redes sociais e fui tentar entender porque.

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Reese tendo que lidar com as críticas de quem poderia estar criticando outros.

Reese é conhecida por seu discurso feminista e, ao mesmo tempo, frequentemente acusada de ser oportunista, ainda que de fato tenha criado um império e que esteja abrindo espaço para narrativas mais femininas. A Hello Sunshine, empresa criada por Reese em 2016, é responsável pelo seu clube de livros, assim como sucessos como “Big Little Lies” e “The Morning Show”. Em 2021, a empresa foi parcialmente vendida para um grupo de mídia chamado Blackstone, o que gerou algumas críticas sobre seu estilo “girl boss”.

Enquanto mulher branca e privilegiada, talvez ela devesse lutar contra o capitalismo, trazer mais diversidade para suas produções ou ser mais crítica em relação a Inteligência Artificial? Com certeza, mas a verdade é que você pode até não gostar, mas ela está mudando o jogo. E não está errada ao dizer que é o momento de as mulheres aprenderem IA, sim. Enquanto Ben Affleck investe em IA nos bastidores e ninguém fala quase nada, Reese está sendo atacada por fazer um convite.

Você pode aprender como a IA funciona, se preparar para a revolução e ainda ser crítica aos efeitos ao meio ambiente, ao consumo de água, e com as questões éticas ao redor do uso de propriedade intelectual em Hollywood. Não entender da tecnologia, ao meu ver, não é benéfico para nenhuma mulher. Você pode entender como IA funciona e decidir não usar, mas é importante saber com o que você está lidando ao tomar essa decisão. A Reese não tirou da cabeça dela que as mulheres precisam dominar o assunto.

O que os dados mostram sobre IA e mulheres:

Não vou entrar no impacto no mercado de trabalho porque já falei sobre isso aqui, mas sim compartilhar o “working paper” publicado pela Harvard Business School chamado “Global Evidence on Gender Gaps and Generative AI” (2024/2025), que apresenta uma análise bastante abrangente sobre a disparidade de gênero no uso de ferramentas de IA Generativa como ChatGPT, Claude e Perplexity. Aqui vão os dados:

  • O documento sintetiza informações de 18 estudos abrangendo mais de 140.000 indivíduos em todo o mundo.

  • Mulheres são, em média, 20% menos propensas que os homens a utilizar ferramentas de IA generativa diretamente.

  • Uma meta-análise formal de 12 estudos indicou que as mulheres têm 22% menos chances de usar essas ferramentas do que os homens.

  • Em comparação com o masculino, a proporção de mulheres que utilizam IA é frequentemente 10% a 40% menor.

Alguns dados de estudos específicos nos ajudam a entender diferentes contextos:

  • Nos EUA (Fed de NY): 50% dos homens usaram IA generativa nos últimos 12 meses, contra apenas cerca de 33% das mulheres.

  • Profissionais dos EUA (Glassdoor): 54% dos homens usam IA, comparado a 35% das mulheres.

  • Estudantes Universitários (EUA): 64% dos homens vs. 48% das mulheres usam IA para trabalhos ou exames.

  • Microempresas (GoDaddy): Foi encontrada uma lacuna de gênero de 6,6 pontos percentuais.

  • Quênia (KGAAS - 17.541 pessoas): Mesmo quando o acesso e a oportunidade de aprender foram equalizados, as mulheres continuaram 13,1% menos propensas a usar o ChatGPT.

  • O único estudo que não mostrou uma lacuna negativa para mulheres foi o da Boston Consulting Group (BCG), com funcionários de tecnologia. Nesse grupo, as mulheres em cargos técnicos seniores eram 3% mais propensas a usar IA do que os homens. Mulheres em cargos juniores ainda apresentavam lacunas significativas.

Os autores identificaram ainda três razões para essa disparidade:

  • Conhecimento e Familiaridade: Mulheres relatam consistentemente menor familiaridade e conhecimento sobre ferramentas de IA.

  • Confiança: Mulheres têm menor confiança em sua capacidade de usar IA de forma eficaz (ex: criar “prompts”). Homens mostraram-se mais persistentes ao tentar prompts adicionais quando o resultado inicial é indesejado.

  • Ética e Moralidade: Mulheres são mais propensas a considerar o uso de IA em tarefas educacionais como antiético ou trapaça.

E esse é só um dos estudos que falam sobre o gap de gênero na IA que encontrei. O AI Index Report 2026 do Stanford HAI tem outras informações que reforçam a preocupação sobre a relação das mulheres com IA, especialmente na criação delas.

  • Mulheres são ~22% da força de trabalho em IA

  • Apenas ~30–35% dos diplomas em Ciência da Computação são de mulheres

  • Mulheres representam menos de 25% das contratações em IA

  • Funding em IA é concentrado e com baixa participação feminina

Reese acordou e achou que era uma boa ideia te chamar para aprender IA.

Mas e Alex Karp da Palantir?

Bom, espero que eu e a Reese tenhamos conseguido te convencer. Até porque a conversa entre os homens está indo para um outro lado, que sinceramente não sei se é o caminho que queremos percorrer. É só pegar o exemplo de Alex Karp, CEO da Palantir, empresa que há poucos dias postou no “X” (ex-Twitter) uma espécie de manifesto. O tweet-manifesto é composto de 22 tópicos oriundos do livro que Alex Karp e seu colega Nicholas Zamiska publicaram recentemente chamado “The Technological Republic”. Para quem não está familiarizado, a Palantir é uma empresa de tecnologia que tem vários contratos com o governo dos EUA e do Reino Unido e que tem muita entrada nos departamentos de defesas de vários países ao redor do mundo.

Basicamente, o tweet-manifesto defende que as sociedades ocidentais precisam voltar a valorizar o chamado “hard power”, ou seja, força militar, segurança nacional e domínio tecnológico. Em alguns momentos, sugere até ideias como a retomada do serviço militar obrigatório e argumenta que paz e progresso dependem de força.

Um dos pontos centrais, porém, é que o futuro dos conflitos será moldado pela inteligência artificial, em uma espécie de “guerra de IA”. A lógica é direta: se “nós” (nós, os EUA) não desenvolvermos essas tecnologias, nossos adversários irão desenvolver. Portanto, a prioridade no que diz respeito à IA não deveria ser cautela e moderação, mas velocidade e liderança. O post afirma ainda que “algumas culturas produziram avanços vitais; outras permanecem disfuncionais e regressivas”.

Os três últimos tópicos são os mais preocupantes. Aqui, na tradução livre:

20. A intolerância generalizada em relação à crença religiosa em certos círculos precisa ser combatida. A intolerância da elite em relação à religião é talvez um dos sinais mais reveladores de que seu projeto político constitui um movimento intelectual menos aberto do que muitos de seus integrantes afirmam.

21. Algumas culturas produziram avanços fundamentais; outras permanecem disfuncionais e regressivas. Hoje, todas as culturas são tratadas como iguais. Críticas e julgamentos de valor são proibidos. No entanto, esse novo dogma ignora o fato de que certas culturas — e, de fato, subculturas — produziram realizações extraordinárias. Outras se mostraram medianas ou, pior, regressivas e prejudiciais.

22. Devemos resistir à tentação superficial de um pluralismo vazio e oco. Nós, nos Estados Unidos e, de forma mais ampla, no Ocidente, passamos o último meio século evitando definir culturas nacionais em nome da inclusão. Mas inclusão em quê?

Ou seja, bora nos preocupar com a nossa inclusão?

(Falando nisso, nessa semana e fizeram a primeira edição do Claud.IA, workshop de IA harmonizado com vinho e foi um sucesso! A segunda turma já fechou, mas a terceira está aberta, inscreva-se aqui! Por enquanto só SP, mas em breve online!

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