Vou começar esse texto arrancando o band-aid, tá?
Tem muita, mas muita personal stylist que não consegue estruturar uma carreira não porque não tem habilidades diretamente relacionadas ao trabalho, mas porque, não consegue organizar a parte empresa.
É por isso que na comunidade Stylebreakers, a gente tem uma aula por mês sobre negócios e empreendedorismo e também a trilha Stylerats, pras alunas colocarem os aprendizados em prática.
Foi numa dessas aulas que a Aline Calamita, engenheira de produção que virou consultora de estilo, trouxe vários insights para ajudar as Stylebreakers a pensar e organizar seus processos. A gata é engenheira por formação e de processos ela entende, afinal!
Fiz um compilado desses insights valiosos por aqui. Aproveite!
Você odeia uma etapa da consultoria ou só não sabe como fazer?
Muito do que a gente chama de “odeio fazer isso” é, na verdade, “nunca aprendi a fazer isso direito.”
É a aluna que diz odiar a etapa de compras, mas que, quando vai destrinchar o porquê, descobre que o problema era outro: era que ela nunca tinha mapeado como fazer essa etapa de um jeito eficiente. Era improviso, sempre. E improviso cansa, faz a gente perder tempo, desanima e faz parecer que o trabalho inteiro é ruim.
Então, gatas, é o seguinte: processo não é burocracia. É paz.
O que está agarrando (e por quê você não sabe onde)
Aline é mineira e tomei a liberdade de usar essa expressão ótima, mas o que importa aqui é que a lógica que a gata trouxe vem da engenharia de produção, mas se aplica direto ao nosso trabalho: você não consegue melhorar o que você não consegue enxergar. E não dá para enxergar o que está só na sua cabeça.
Se o seu dossiê está travando, o problema pode não estar no dossiê.
Pode estar na fase investigativa, que foi feita de maneira incompleta.
Pode estar no fato de você nunca ter definido por onde começar.
Pode estar num monte de microtrabalhos invisíveis que você faz sem perceber e que não entregam valor nenhum para a sua cliente. Mas te tomam muito tempo!
Exemplo real da aula: uma consultora que tirava foto de todas as peças da cliente, subia no drive, baixava, abria no Canva, tirava o fundo de cada imagem, uma por uma. Uns 30 minutos gastos num material que a cliente nem ia ver. Tempo que não agrega. Trabalho que não é cobrado. Conta que nunca fecha.
Esse é o estudo de tempos e movimentos. A ideia é simples: tudo que você faz tem um tempo e um custo. E se aquilo não entrega valor para quem você atende, você está, literalmente, pagando para trabalhar.
Os três processos de uma empresa
Aqui mora outro ponto que a Aline deixou muito claro: a maioria das consultoras só enxerga o processo de entrega, o atendimento em si. Mas uma empresa tem três camadas:
Tem o processo de negócio, que é a consultoria em si, o que você entrega.
Tem o processo organizacional, ou seja, o back-office que ninguém vê: contrato, nota fiscal, onboarding, organização de arquivos. Essas coisas não aparecem para a cliente, mas se não existirem, o atendimento desmorona.
E tem o processo gerencial, que ouso dizer, é o mais ignorado de todos. Relatório, planejamento, revisão de metas, análise de métricas. O trabalho que direciona a empresa para onde você quer ir, em vez de deixar o vento levar.
Quem não mede, não gerencia. E quem não gerencia não sabe se está crescendo ou só se movimentando muito, mas sem sair do lugar.
Não se apaixone pela ferramenta
Ferramenta é meio. Mas o que importa de verdade, é o que vem antes: o processo. É bem comum se apaixonar pela ferramenta antes mesmo de entender o problema que ela precisa resolver. Notion, Trello, planilha, caderninho — tanto faz. O que importa é: o que você precisa que funcione?
Primeiro você mapeia o processo, passo 1, passo 2, passo 3. Depois você escolhe onde vai viver esse processo. Não o contrário. Porque se você não sabe o que precisa ser feito, nenhuma ferramenta vai te salvar.
E mapear, para ficar claro, significa escrever. Não guardar na cabeça. Quando alguém diz “já mapeei, está aqui” e aponta para a própria cabeça, esse processo não existe. Existe uma boa vontade, mas boa vontade não sustenta empresa nenhuma de pé.
E falando nisso…
Planejamento não é previsão do futuro, é bússola.
Planejar não é desenhar seu futuro. É ter um norte. Assim, quando o imprevisto vier (e vai vir, você pode ter certeza!), você sabe do que abrir mão, o que manter, para onde redirecionar.
Cobrar certo começa por saber o que você entrega
Se você não sabe exatamente o que faz (contando cada micro entrega, cada hora invisível), como você vai saber quanto cobrar?
O raciocínio é simples e um pouco brutal: trabalho técnico, especializado e que exige presença física e mental precisa ser cobrado como tal.
Tratar seu negócio como hobby e querer resultado de empresa é uma grandecontradição!
Não se apaixone pela ferramenta
Toda vez que o assunto é processos, as primeiras perguntas são sobre ferramentas. Acontece que ferramenta é só o meio.
O que importa de verdade, é o que vem antes: o processo. É bem comum se apaixonar pela ferramenta antes mesmo de entender o problema que ela precisa resolver.
Notion, Trello, planilha, caderninho — tanto faz. O que importa é: o que você precisa que funcione?
Primeiro você mapeia o processo, passo 1, passo 2, passo 3. Depois você escolhe onde vai organizar esse processo. Não o contrário. Porque se você não sabe o que precisa ser feito, nenhuma ferramenta vai te salvar.
No fundo, toda essa conversa sobre processo é uma conversa sobre autonomia. Sobre ter uma empresa que funciona para bancar a vida que você quer ter. Seja viajar mais, ter tempo para o filho, trabalhar menos aos sábados, sei lá!
“Enquanto você associar criatividade à desorganização, sua empresa vai continuar operando no improviso. Não é porque o nosso trabalho é criativo que ele precisa ser caótico.
Olhe para os processos. Mapeie tudo. Entenda que melhoria é contínua. Não existe definir um processo uma vez e nunca mais olhar pra ele. revisão constante faz parte, porque o seu negócio é vivo.
E talvez a grande ironia seja essa: quanto menos energia você gasta apagando incêndio, mais espaço sobra pra criar.”
Esse texto é um resumo de uma aula da comunidade Stylebreakers. Se você quer ter acesso às aulas completas — e a tudo mais que rola por lá —, vem conhecer a comunidade.

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