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A bussola de sentido · Jun 1, 2026

"Eu não tenho escolha"

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Thais Nascimento · A bussola de sentido

Esse filme é bem conhecido por trabalhar tantos pontos, que fica até difícil escolher um. Mas aqui iremos focar em Andy, nossa protagonista.

Pra quem não viu o filme, vou apresentar uma breve sinopse:

Andy é recém formada em jornalismo, e em meio suas entrevistas é convocada para trabalhar em um emprego, como descrito por muitas: que um milhão de garotas matariam para ter. Ela é contratada para ser assistente de Miranda, a lendária e implacável editora-chefe da revista de moda mais famosa de Nova York. E para sobreviver às exigências de sua chefe e um ambiente altamente competitivo e hostil, Andy aprende a se adaptar, mesmo colocando em prova seus valores.

De um lado temos a Andy, uma moça sonhadora que deseja trabalhar em um jornal sério, cobrindo notícias reais e de forma profunda. Tem amigos, namorado, é simples, gosta da sua vida do jeito que é, mesmo ambicionando uma carreira promissora.

Do outro lado temos Miranda, uma mulher altamente performática, endurecida pelo tempo e adaptada em um ambiente que recompensa dissociação emocional e não unicidade.

O ambiente em que Andy é inserida mostra sua capacidade de adaptação, mas também mostra um autoritarismo absurdo de Miranda, ela é acionada em meio ao seu cotidiano pessoal, trabalha mais do que a saúde mental permite e é criticada o tempo inteiro sobre como se veste, como se comporta e da sua forma atrapalhada.

Ela acaba cumprindo os desafios impostos, muda sua vestimenta, organiza sua vida em volta do que Miranda deseja. O trabalho para de ser uma escada de evolução, e o sonho de se tornar uma jornalista séria vai sendo ofuscado. No meio desse processo seu tempo com os amigos e namorado vão sendo negligenciados, suas noites de sono, sua alimentação e seus valores.

Sim, ela tem, mas decide não fazê-lo.
Andy sabe que poderia sair, mas escolhe permanecer. E é justamente aí que o filme se torna desconfortável: ela não é apenas vítima das circunstâncias. Como todos nós, ela participa das escolhas que a conduzem, mesmo que o custo seja alto demais.

Não é tão difícil enxergar isso ao nosso redor e até na nossa própria vida.
Muitas vezes nos deparamos com escolhas difíceis das quais nunca desejaríamos ter que fazer, e deixamos o tempo conduzir, o trabalho conduzir, outra pessoa conduzir, para não ter que assumir as consequências de ter que decidir.

Andy deixa o que é mais precioso de lado quando abre mão de assumir o controle. Perde sua autenticidade, sua identidade e aos poucos vai desfazendo o vínculo com as pessoas que mais ama.


Miranda é uma chefe implacável e extrai de Andy grande potencial, não tem como negar isso ao ver o filme. Mas ao mesmo tempo que ela extrai a sagacidade dela, Andy vai deixando de ser quem nasceu para ser.

E a pergunta é para você que está lendo este texto.
Você sabe quem você é?
Sabe quais são seus valores inegociáveis?
Sabe o porquê vive?
Sabe pelo que enfrenta o que enfrenta todos os dias?

É um questionamento mais além do que parece.
Pois não saber quem é te leva a lugares dos quais não nasceu para estar.

Mas quando descobre, meu caro e minha cara…
O resultado é um potencial que ultrapassa limites do verdadeiro sucesso: saber para o que dirá sim e para onde se destinará o seu não.

Read the original on abussoladesentido.substack.com

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