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sunday drops · May 17, 2026

A habilidade mais subestimada

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A alocação é o trabalho.

Olá,

Em um mundo com tantas oportunidades, tantas ferramentas, tanta informação, eu descobri que pensar ativamente sobre como alocar o tempo é a habilidade mais importante para qualquer pessoa.

Mas antes de avançarmos, dois recados rápidos:


  1. Esta edição é oferecida pela Onfly:

Toda empresa aloca tempo em coisa que não devia: Reembolso. Planilha de viagem. Política de despesa que ninguém lê.

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E falando em alocação, a real é que somos todos alocadores.

O founder aloca foco. O médico aloca atenção. O analista aloca horas. O pai aloca presença.

Diga-me no que alocas e direi quem tu és.

Aloque bem e seja feliz.

Aloque mal e seja miserável.

Alocar é uma das poucas variáveis no nosso controle.

E tudo mudou com IA.

O custo de alocar caiu. O custo de desfocar caiu junto.

Parece bom, mas não é bem assim.

Onde antes você tinha cinco escolhas razoáveis, hoje tem cinquenta. Quando tudo fica possível, alocar errado fica caríssimo. Falamos muito disso no episódio com a Irit: “o custo de desfocar ficou mais alto”.

Direção importa mais que velocidade. Essa é uma lei atemporal e valiosa especialmente no mundo de hoje.

E outro ponto relevante também é que as alocações mais importantes vêm de projetos longos. A timeline é mais longa do que curta.

Jeff Bezos resumiu melhor que ninguém:

“Quando alguém parabeniza a Amazon por um bom trimestre, eu agradeço. Mas aquele resultado já estava praticamente cozido há três anos. Hoje, eu trabalho no trimestre que vai acontecer daqui a três anos.”

Isso vale para tudo. Sahil Bloom resume: saúde física é construída pelo composto de ações diárias.

Quem dorme bem, come direito e se move todo dia, não vê resultado na quarta-feira. Vê na década. Me lembra um amigo de meu pai, que com 60 anos começou a investir mais tempo na academia para chegar "aos 70 muito bem".

Alocação de recursos visando o longo prazo.

Por isso, alocação tem que ser analisada como filme, não como foto.

A foto de uma quarta-feira sua não diz nada. O filme do seu último ano diz tudo.

Isso é importante porque micro-alocação engana e traz muito barulho, mas a macro que importa. Quantas vezes não fiquei decepcionado com o quanto fiz em um dia? Mas orgulhoso do que fiz em um mês.

E outro ponto também é que toda alocação errada é um imposto e o maior deles geralmente é o custo de oportunidade.

Vou trazer um exemplo desta minha semana:

Estou preparando o episódio sobre a história da Embraer. Já gravei duas vezes. Estou indo para a terceira.

Isso é uma boa alocação de tempo?

Depende.

Se meu objetivo é maximizar quantidade de conteúdo gerado, talvez não. Toda hora aqui é hora não-gasta no próximo episódio.

Se meu objetivo é ter o podcast de maior qualidade para a audiência mais qualificada, talvez seja a melhor alocação possível.

Estou certo ou errado? Só descobrirei depois, mas foi uma decisão de alocação.

Alocação é a habilidade mais importante de qualquer pessoa.

E também é a mais subestimada: ninguém ensina. Nenhuma escola treina. Nenhuma vaga pede no requisito.

Mas como alocar bem?

Não existe resposta universal, afinal, cada um de nós é único à sua maneira.

Partindo de que temos visões diferentes, o ROI também é.

O que multiplica a minha vida pode subtrair a sua.

O ponto de virada foi uma pergunta que minha psicóloga fez para mim e que desde então tenho sido bem mais intencional com alocação: O que você quer?”

O que eu quero não é o que você quer. O que você quer não é o que seu sócio quer.

Mas cada um precisa responder: o que queremos?

Talvez seja a hora de buscar essa resposta.

Pequeno trecho da carta trimestral para mim mesmo

+

Só dando um double down na questão da carta.

Toda semana escrevo uma carta — para mim, sobre mim. Onde aloquei tempo. Onde aloquei energia. Onde acertei. Onde desperdicei.

Escrever obriga a olhar. Como dizem: “Writing is Thinking.”

Diga-me no que alocas e direi quem és.

A carta semanal é como eu me respondo. Talvez um hábito que possa te ajudar também.

Hoje ela segue essa estrutura:

  1. Onde estou
    Contexto emocional, operacional e estratégico da semana.

  2. Scoreboard
    Métricas e indicadores que mostram a evolução real.

  3. O que funcionou
    Alavancas, decisões e ações que geraram resultado.

  4. O que não funcionou
    Gargalos, falhas de execução e pontos de fricção.

  5. O que aprendi
    Princípios, padrões e insights extraídos da semana.

  6. Decisão da próxima semana
    Escolhas estratégicas sobre onde concentrar energia.

  7. Próximos passos
    Prioridades operacionais e execução imediata.

  8. Risco principal
    Maior ameaça ao momentum ou aos objetivos atuais.

  9. O que seria uma vitória
    Definição clara do que significa “ganhar” a semana.

Talvez te ajude. Importante notar: A carta semanal traz clareza de curto prazo. Outros documentos, como projetos de longo prazo, são a base para entender se os objetivos estão na direção certa.


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