Em tese, essa é a nossa última newsletter do ano. Não no formato costumeiro, claro, mas como uma prestação de contas para vocês.
Antes, precisamos agradecer a vocês, ouvintes, leitores e seguidores da 300Noise. Durante 2025 refletimos sobre a forma como estávamos divulgando nosso conteúdo e pesquisas e fizemos uma leve transformação de formato no Instagram. No mar da saturação de posts de carrossel com análises duvidosas e textos robotizados, começamos a explorar os vídeos.
Estamos testando bastante coisa, mas já temos várias ideias em nossas cucas para 2026. Aguardem e aproveitem para compartilhar nosso canal no Substack, estamos quase batendo mil inscritos. Um pequeno passo para o homem, um grande passo para a humanidade, etc, etc.
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Aqui na 300Noise estamos acostumados a operar futurologias no início do ano. Um exercício e tanto para tentar entender o funcionamento da indústria da música. Embora nossa equipe ainda não tenha uma bola de cristal, ou auxilio de uma força sobrenatural para nos mostrar o futuro, ajustamos nossas expectativas com análises e estudo.
E funciona? Bem, vamos passar por alguns pontos importantes e seus desdobramentos.
Uma discussão que não estava marcada nas nossas tendências de maneira direta, mas que passava por um ponto destacado pela 300Noise. A postura das big techs ao novo governo republicano invariavelmente acenderiam um alerta para o setor criativo da música.
Com o anúncio das tarifas, ou, segundo o próprio Trump, o “Liberation Day”, o efeito dominó dentro da indústria da música era inevitável. Estamos falando de uma cadeia de componentes que dependem muito da China ou de alguns países asiáticos, como o Vietnã ou Singapura.
Um aprofundamento sobre alguns números desse impacto podem ser conferidos em uma matéria do PIIE (Peterson Institute for International Economics) que traz números do FRED (Federal Reserve Economic Data).
Mas você pode também optar por algo menos denso e ler essa matéria da NPR sobre o aumento nos preços de importação de instrumentos musicais, ou o texto da RFI sobre os fabricantes franceses de instrumentos musicais.
Não é segredo que 2025 foi um ano em que diversas notícias apontaram uma insustentabilidade para o modelo de streaming, ou ao menos para o maior representante dele na música. Desde o investimento de Daniel Ek na indústria de drones, até seu “afastamento” como CEO do Spotify, muito se discutiu sobre novos formatos para a música.
Artistas buscaram novas maneiras de se relacionar dentro da indústria. Isso não significa o fim do streaming, mas uma necessidade de diversificar a forma como a música circula entre criador e público.
Estamos falando de quebrar a lógica de uma gravadora, como o caso de James Blake com o Indify. Ou demonstrar descontentamento com a postura do Spotify e boicotar o serviço de streaming excluindo seu conteúdo da plataforma, como Deerhoof, ou King Gizzard. Além disso, o novo material do Massive Attack também não estará disponível do verdinho.
Hayley Williams também optou por realizar um lançamento inusitado, fora das plataformas, e promovendo sua tinta capilar. Escrevemos sobre isso em nossa newsletter e explicamos um pouco sobre o impacto desse lançamento.
Recentemente, a banda Fresno também anunciou um lançamento diferente para seu novo disco. O grupo vai fazer um lançamento executando a música ao vivo, em um show especial, e disponibilizar o álbum antecipadamente para os fãs que comprarem o ingresso.
Para fechar: a 300Noise também resolveu realizar uma pesquisa e uma intervenção sobre a música fora da internet. Estamos falando sobre nosso projeto Pendrive: O Som das estradas”.
Ainda não viu? Clica aqui.
Ao falarmos sobre a volta do Oasis, apontamos que as bandas de garagem, por assim dizer, teriam um espaço maior e uma urgência ao se tratar de expressões criativas. Talvez algo que condense bem a ideia seja o despontamento da banda Geese e seu disco “getting killed”.
Além disso, é nítido que projetos estejam interessados em oferecer uma música espontânea e que traga a essência humana para seu público. Projetos do aqui e agora, com todos os detalhes e imperfeições humanas. A chegada do Tiny Desk Brasil dialoga com isso.
Durante o ano falamos muito sobre esse tema, desde nosso texto sobre o lançamento de Addison Rae, até um reels que publicamos nas últimas semanas que amplia um pouco esse debate. O tema está sendo amplamente discutido, principalmente se tratando do “pop de recessão” (temos algumas críticas a esse termo e a forma como ele é abordado).
Lembramos que esse é um tópico que está diretamente relacionado ao mercado estadunidense!
No mais, deixamos uma velha recomendação de leitura:
A desconfiança em cima dos megafestivais não está somente no público que fica com medo do artista favorito cancelar ou de comprar um ingresso antecipado e se arrepender, mas também nos patrocinadores que pensam no prejuízo que sua marca vai tomar em caso de falta de estrutura adequada e segurança para o público. Ou, no mais: uma ponderação acerca do valor de investimento x retorno.
Quando escrevemos sobre o receio e a incerteza de megaeventos, ainda não tínhamos os números finais dos principais festivais da cidade de São Paulo. No caso, o Lollapalooza (que informou um público de 240 mil pessoas para os 3 dias) e o The Town (que, diferente da última edição, só esgotou um dos dias).
Mas quem está de olho nessa balança é também o artista, seja ele a figura que encabeça o evento, ou aquele que vai abrir para dúzias de pessoas debaixo de um sol escaldante em meio a um descampado.
Nesse ponto, seguindo a mesma lógica da dependência de plataformas, o rumo a ser tomado pode ser o do fortalecimento das comunidades. Se uma rota de shows teve edições planejadas para conectar e descentralizar turnês de capitais, é apenas reflexo. Construção e cruzamento de comunidades são parte fundamental do underground e dos diversos nichos de música independente. Olhar para esses ecossistemas não é questão de aprendizado, mas de sobrevivência.
Em 2025, tivemos marcas buscando seu próprio formato de evento e reconfigurando a forma de trabalhar com música, com fãs e, claro, com os tais super fãs. Falamos sobre isso quando analisamos o festinal No Lineup da Heineken, mas também a experiência da marca no Edifício Misericórdia.
Também tivemos festivais apostando em formatos diferentes e refletindo sobre seu papel dentro de seu nicho. Não é questão de olhar apenas para o número de artistas, ou o tamanho do espaço, mas a maneira de manter a ideia sustentável.
A música sempre foi explorada pelo universo fashion, mas a lógica do consumo de nichos possibilita uma infinidade de desdobramentos. Sim, estamos falando da música ser um apetrecho que surge como a foto de um copo quebrado que foi fotografado para o dumb do mês. Transportar a música para o campo da estética é algo que se traduz cada vez mais em nichos buscando interconexões e a publicidade é a amarra. Seguimos com colaborações entre a Adidas e o Korn, com lojas-capsulas de marcas de calçados que agregam vitrolas e discotecagens ao seu universo e edições de vinil luxuosas que se voltam apenas para personalidades vitrínicas e não para fãs devotos. No raciocínio de Lipovetsky: “Para além das manifestações reais de homogeneização social, a publicidade trabalha, paralelamente à promoção dos objetos e da informação, na acentuação do princípio da individualidade”.
Quem lembra das filas enormes para a loja Oasis x Adidas? Até mesmo o Linkin Park teve uma Pop-Up store em São Paulo durante a semana do seu show no Morumbis. Também no final do ano tivemos o evento no Rio de Janeiro com a Rosalía falando sobre seu novo disco, Lux. E por falar nisso, quantas listening parties por aí, não é mesmo?
Focando principalmente nos nichos, ações de exclusividade com entradas limitadas foram o grande destaque no ano, não é? Desde festival gratuito da cerveja verde, até show exclusivo para super fãs da cerveja vermelha, todo mundo quis ter um role super exclusivo para chamar de seu.
2026 está chegando ainda mais turbulento. Estamos acompanhando as últimas movimentações do mercado da música, inclusive aquele assunto da Billboard que vocês devem ter visto…
Fato é que estaremos presentes e prestando nossas humildes análises e dando vida para as ideias mais improváveis, seja uma zine, um pendrive, um mês da positividade ou uma nova plataforma de música (quem sabe?).
Boas festas, se cuidem, aproveitem, descansem.
Nos vemos!
OPAAAAAAAAAAAAAAA
HORA DO JABA!
Foi mal a publi, precisamos pagar as contas e olha que curioso, temos roupitchas maravilhosas em queima de estoque da última coleção porque logo mais vem próxima (sem spoilers).
Dá uma olhada na nossa lojinha. Tem produtos com até 42% off, como dizem os shoppings.
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